segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Segurança Aérea

segurança aérea - é um conceito subjetivo, conhecido no meio aeronáutico como segurança de voo, e é definido pela Organização de Aviação Civil Internacional - OACI como sendo o "estado no qual o risco de ferir pessoas ou causar danos em coisas se limita a, ou está mantido em ou abaixo de, um nível aceitável, através de um processo contínuo de identificação de perigos e gerenciamento de riscos"(Doc 9859/OACI).
Na aviação civil, a segurança aérea é tratada sob cinco diferentes enfoques: aeronave (em termos de projeto de produto, de processo de fabricação e de manutenção), pessoal (pilotoscomissários de voo, mecânicos, despachantes operacionais, etc.), aeródromo (infra-estrutura do aeroporto), operação (condições mínimas para gestão organizacional da empresa, sob o enfoque da segurança) e navegação aérea (aeroviascontrole de tráfego aéreo, cartas aeronáuticas, comunicações, etc.).

Junta-se a estes cinco enfoques, um sexto elemento extremamente importante para o contínuo melhoramento dos índices de segurança, que é a investigação de acidentes. Este sexto elemento permite identificar deficiências e propor ações corretivas (as chamadas recomendações), para que um próximo evento semelhante não ocorra novamente.

A segurança aérea depende de uma doutrina ou filosofia de trabalho, baseada em atitude pessoal preventiva e que leva em conta três elementos: o Homem, a Máquina e o Meio (Ambiente). Nenhum acidente aéreo ocorre devido a um único fator. Um acidente aéreo é resultado de diversos fatores contribuintes e é subseqüente a vários outros incidentes aéreos de mesma natureza, que já haviam acontecido, sem maiores conseqüências, e que não haviam sido tratados convenientemente através de ações corretivas.
A segurança aérea é multidisciplinar e é composta por diversas especialidades profissionais aplicadas à aviação. O objetivo principal é evitar ocorrências ou re-ocorrências de um incidente ou de um acidente através do estudo sistemático destes acidentes aéreos ou incidentes aéreos, com o objetivo de prevenir futuras ocorrências.

Protocolo de Kyoto

O protocolo de Kyoto foi implantado efetivamente em 1997, quando metas de redução da emissão de gases poluentes foram estabelecidas.
Esse Protocolo tem como objetivo firmar acordos e discussões internacionais para conjuntamente estabelecer metas de redução na emissão de gases-estufa na atmosfera, principalmente por parte dos países industrializados, além de criar formas de desenvolvimento de maneira menos impactante àqueles países em pleno desenvolvimento.
Diante da efetivação do Protocolo de Kyoto, metas de redução de gases foram implantadas, algo em torno de 5,2% entre os anos de 2008 e 2012. O Protocolo de Kyoto foi implantado de forma efetiva em 1997, na cidade japonesa de Kyoto, nome que deu origem ao protocolo. Na reunião, oitenta e quatro países se dispuseram a aderir ao protocolo e o assinaram, dessa forma, comprometeram-se a implantar medidas com intuito de diminuir a emissão de gases.

As metas de redução de gases não são homogêneas a todos os países, colocando níveis diferenciados de redução para os 38 países que mais emitem gases, o protocolo prevê ainda a diminuição da emissão de gases dos países que compõe a União Europeia em 8%, já os Estados Unidos em 7% e Japão em 6%. Países em franco desenvolvimento como Brasil, México, Argentina, Índia e, principalmente, China, não receberam metas de redução, pelo menos momentaneamente.

O Protocolo de Kyoto não apenas discute e implanta medidas de redução de gases, mas também incentiva e estabelece medidas com intuito de substituir produtos oriundos do petróleo por outros que provocam menos impacto. Diante das metas estabelecidas, o maior emissor de gases do mundo, Estados Unidos, desligou-se em 2001 do protocolo, alegando que a redução iria comprometer o desenvolvimento econômico do país.

As etapas do Protocolo de Kyoto

Em 1988, ocorreu na cidade canadense de Toronto a primeira reunião com líderes de países e classe científica para discutir sobre as mudanças climáticas, na reunião foi dito que as mudanças climáticas têm impacto superado somente por uma guerra nuclear. A partir dessa data foram sucessivos anos com elevadas temperaturas, jamais atingidas desde que iniciou o registro.

Em 1990, surgiu o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática), primeiro mecanismo de caráter científico, tendo como intenção alertar o mundo sobre o aquecimento do planeta, além disso, ficou constatado que alterações climáticas são principalmente provocadas por CO2 (dióxido de carbono) emitidos pela queima de combustíveis fósseis.

Em 1992, as discussões foram realizadas na Eco-92, que contou com a participação de mais de 160 líderes de Estado que assinaram a Convenção Marco Sobre Mudanças Climáticas.

Na reunião, metas para que os países industrializados permanecessem no ano de 2000 com os mesmos índices de emissão do ano de 1990 foram estabelecidas. Nesse contexto, as discussões levaram à conclusão de que todos os países, independentemente de seu tamanho, devem ter sua responsabilidade de conservação e preservação das condições climáticas.

Em 1995, foi divulgado o segundo informe do IPCC declarando que as mudanças climáticas já davam sinais claros, isso proveniente das ações antrópicas sobre o clima. As declarações atingiram diretamente os grupos de atividades petrolíferas, que rebateram a classe científica alegando que eles estavam precipitados e que não havia motivo para maiores preocupações nessa questão.

No ano de 1997, foi assinado o Protocolo de Kyoto, essa convenção serviu para firmar o compromisso, por parte dos países do norte (desenvolvidos), em reduzir a emissão de gases. No entanto, não são concretos os meios pelos quais serão colocadas em prática as medidas de redução e se realmente todos envolvidos irão aderir.

Em 2004 ocorreu uma reunião na Argentina que fez aumentar a pressão para que se estabelecessem metas de redução na emissão de gases por parte dos países em desenvolvimento até 2012.

O ano que marcou o início efetivo do Protocolo de Kyoto foi 2005, vigorando a partir do mês de fevereiro. Com a entrada em vigor do Protocolo de Kyoto, cresceu a possibilidade do carbono se tornar moeda de troca. O mercado de créditos de carbono pode aumentar muito, pois países que assinaram o Protocolo podem comprar e vender créditos de carbono.

Na verdade, o comércio de carbono já existe há algum tempo, a bolsa de Chicago, por exemplo, já negociava os créditos de carbono ao valor de 1,8 dólares por tonelada, já os programas com consentimento do Protocolo de Kyoto conseguem comercializar carbono com valores de 5 a 6 dólares a tonelada.
Eduardo de Freitas
Graduado em Geografia

Mais importantes livros de sustentabilidade

A obra Os 50 + importantes livros em sustentabilidade oferece ao leitor a essência das ideias dos 50 livros mais importantes sobre o planeta, a relação entre seus habitantes, soluções tecnológicas, novas concepções filosóficas empresariais e econômicas, propostas políticas e um programa de reforma internacional, favorecendo a reflexão sobre os caminhos para planejar um mundo mais equilibrado. Seu ponto de partida foi uma enquete entre líderes seniores e ex-alunos do Cambridge Programme for Sustainability Leadership (CPSL), que em 2008 iniciou um ambicioso projeto de identificar os livros mais influentes sobre sustentabilidade, entrevistar o maior número de autores possível e compilar suas descobertas em uma resenha acessível. O resultado é uma das maiores análises dos desafios globais, sociais, ambientais e éticos com os quais todos se deparam atualmente, e as possíveis soluções criativas para cada um deles. Dentre as entrevistas e biografias dos autores selecionados, estão nomes de destaque como: Aldo Leopold, Rachel Carson, Donella H. Meadows, E.F. Schumacher, Al Gore , Jeffrey Sachs, Max Neef, Peter Senge, John Elkington e o brasileiro Ricardo Semler. Pessoas que ajudaram a dar forma à agenda de sustentabilidade ao longo dos anos.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Economia verde

Um dos mais importantes vetores da Economia Verde é, sem dúvida, o da Produção e Consumo Sustentáveis (PCS), formulado como um dos principais resultados da Conferência Rio+10, de 2002, em Joanesburgo. Esse conceito amplo procura dar centralidade à ideia de que as práticas produtivas e os hábitos de consumo são a principal razão das ameaças à sustentabilidade, e são interdependentes. Precisam, portanto, ser trabalhadas conjuntamente. Para isso, um extenso trabalho vem sendo realizado no âmbito da ONU, e consolidado no assim chamado Processo de Marrakesh, cujo trabalho deve resultar num plano global para PCS, o Ten Year Framework Program. Esse plano – como outras iniciativas do sistema ONU - tem tido dificuldades em produzir efeitos concretos diretamente, mas tem o mérito de pautar e mobilizar esforços sobre o tema em todo o planeta, inclusive no Brasil. Em nosso país, sua expressão mais direta é o Plano de Ação para Produção e Consumo Sustentáveis, plano nacional que alinhado às ações dos processos de Marrakesh visa fomentar no Brasil um vigoroso e continuo processo de mudanças e incentivos para o desenvolvimento de padrões de produção e consumo sustentáveis.
A Rio-92 foi o primeiro grande catalisador de empresários engajados no movimento pelo Desenvolvimento Sustentável. Sob a liderança do industrial suíço Stephan Schmidheiny, foi fundado em 1995 o Conselho Mundial de Empresas para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD), que inspirou a criação de entidades nacionais similares, como o Conselho Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (Cebds). A Rio-92 também motivou a criação nesse mesmo ano da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), formada por 24 empresas líderes em suas áreas de atuação.
Paralelamente à crescente preocupação ambiental, a redemocratização do Brasil a partir de 1985 colocou em pauta o desafio de o país superar o vexaminoso título de campeão mundial em desigualdade social. Nesse contexto, surgiu o Grupo de Instituições, Fundações e Empresas (Gife), estabelecido em maio de 1995 com o objetivo de promover o investimento social planejado e sistemático, superando o tradicional viés assistencialista das ações sociais das empresas.
Além do Gife, o movimento de Responsabilidade Social Empresarial (RSE) resultou na criação em 1998 do Instituto Ethos de Responsabilidade Social, que desenvolveu os Indicadores Ethos de RSE, ferramenta de autodiagnóstico cuja principal finalidade é auxiliar as empresas a gerenciarem os impactos sociais e ambientais decorrentes de suas atividades.
Havia, ainda, uma demanda de ONGs e movimentos sociais para que as empresas divulgassem relatórios regulares com indicadores socioambientais de suas atividades e impactos internos e externos. Surgiu, assim, o Balanço Social, um modelo de balanço socioambiental corporativo lançado em 1997 pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), que o atualizou anualmente até 2009.
Na segunda metade da primeira década deste século, o Balanço Social do Ibase foi sendo gradativamente abandonado, à medida em que crescia o uso dos relatórios de sustentabilidade padronizados segundo os critérios da Global Reporting Initiative (GRI), concebida no âmbito da ONU e constituída como organização independente em 2002, com sede em Amsterdã, na Holanda. Os padrões adotados pela GRI são elaborados em um processo multissetorial, abrangendo empresas, sociedade civil, sindicatos e instituições acadêmicas e profissionais.
Em 2006 outro passo importante foi dado no Brasil, com a criação do ISE/Bovespa. O Indice de Sustentabilidade Empresarial da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo, que seleciona empresas de capital aberto brasileiras com destacado desempenho e comprometimento com as questões da sustentabilidade e da responsabilidade social. Esse índice tanto ajuda investidores a direcionarem seus recursos para negócios mais sustentáveis, quanto reforça e acelera a ação das empresas rumo à sustentabilidade, motivando-as a agir e a reforçar publicamente seus compromissos, na medida em que buscam a oportunidade de diferenciação pública e atração de capitais.
O mais recente movimento nessa direção, em escala global mas com grande envolvimento do Brasil, foi o lançamento da ISO 26000, a norma internacional da ISO sobre responsabilidade social. Publicada em novembro de 2010, após mais de seis anos de trabalho intenso por um expressivo grupo internacional multistakholder, essa norma é um guia de diretrizes que deverá alinhar as ações de muitas emperesas e outros atores públicos ou privados no mundo todo. (Veja mais no site do Grupo de Articulação de ONGs Brasileiras e nos sites do GVces e do Ethos).
Evidências científicas sobre a responsabilidade humana nas mudanças climáticas e repercussão do tema pela mídia foram outros importantes propulsores de engajamento corporativo, colocando este tema como merecedor de destaque. Há, porém, iniciativas semelhantes envolvendo questões como desmatamento, uso da água, condições de trabalho etc.
Na área do clima, além do Relatório Stern (outubro de 2006), que inseriu a questão climática no coração do debate econômico, no final da primeira década do século XXI, outros acontecimentos repercutiram em cobertura da mídia, que discutiu intensamente a relação dos eventos naturais com as mudanças climáticas e as políticas para fomentar uma economia de baixo carbono. Por exemplo, o Protocolo de Kyoto entrou em vigor em fevereiro de 2005, ano em que o furacão Katrina castigou a costa do Golfo do México (29 de agosto); o ano seguinte viu a estreia em maio de Uma Verdade Inconveniente, de Al Gore. O IPCC começou a divulgar seu 4° Relatório em fevereiro de 2007 e finalmente, a COP-15 do clima foi realizada em dezembro de 2009, em Copenhague.
No Brasil, três iniciativas vêm ajudando as empresas a aprimorar a gestão de suas emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) em suas operações diretas e indiretas, que envolvem a cadeia de negócios desde os fornecedores até logística de distribuição e consumo.
Carbon Disclosure Project (CDP) – Lançado em 2000 no Reino Unido e 2008 no Brasil, o projeto reúne informações sobre as emissões de GEE de mais de 3.000 companhias e as compartilha com 551 fundos que detêm US$ 71 trilhões em ativos de empresas. O interesse dos investidores é conhecer o grau de exposição das empresas nas quais possuem ações a riscos associados às mudanças climáticas.
GHG Protocol - É uma ferramenta utilizada para quantificar e gerenciar emissões de GEE. Foi originalmente desenvolvido nos Estados Unidos, em 1998, pelo Instituto de Recursos Mundiais (WRI) e é hoje a metodologia mais usada mundialmente por empresas e governos na realização de inventários de GEE. A versão brasileira da ferramenta foi lançada no Brasil em 2008, com metodologia adaptada ao contexto nacional pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVces) e pelo WRI em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), o Conselho Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (Cebds), o Conselho Mundial de Empresas para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD) e 27 empresas.
Empresas pelo Clima (EPC) – Coordenada pelo GVces, a Plataforma EPC é um passo seguinte ao GHG Protocol. Foi lançada em outubro de 2009 em parceria com a rede The Prince of Wales Corporate Leaders Network for Climate Action (CLN). Ao aderir à iniciativa, a empresa compromete-se a publicar seus inventários de GEE de acordo com a metodologia do GHG Protocol e executar planos de gestão das emissões que promovam inovação competitiva.