terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O legado de Mandela

Um dos maiores símbolos da luta contra o preconceito em toda a história da humanidade, o líder sul-africano Nelson Mandela, de 95 anos, morreu na quinta-feira, 5 de dezembro, devido a complicações de uma infecção pulmonar. O primeiro presidente negro da história da África do Sul dedicou 67 anos de sua vida por um mundo mais justo, por meio do serviço público, como advogado de direitos humanos, prisioneiro de consciência e pacificador internacional.
Mandela nasceu na aldeia de Mvezo, na Província de Eastern Cape. Filho de um chefe da tribo Tembo, recebeu o nome de Rolihlahla. Passaria a ser chamado de Nelson anos mais tarde, em uma escola de religiosos anglicanos. Se tornou bacharelado em Direito em 1943, em Johanesburgo. No mesmo ano, formou a Liga da Juventude do CNA, com os amigos Oliver Tambo e Walter Sisulu. Eleito secretário-geral no ano seguinte, casou-se com Evelyn Mase, com quem teve quatro filhos – apenas um continua vivo.
Em 1948, Mandela coordenou a chamada ‘Campanha de Desafio’, contra o Apartheid (regime de segregação racial da África do Sul), durante a qual cerca de 8.500 ativistas foram presos. Em 1956, o líder se divorciou de Evelyn. Em 1958, casou-se novamente, com Winnie Mandela, com quem teve duas filhas. No mesmo ano foi preso junto com outros 156 companheiros, acusado de traição – acabou absolvido em 1961 da acusação de traição e passou a atuar na clandestinidade, contudo, voltou à prisão em agosto de 1962.
Era julho de 1964, quando Mandela foi condenado à prisão perpétua (ficou na prisão de Robben Island). Em 1976, no chamado Levante de Soweto, dez mil estudantes negros realizaram uma passeata pacífica. A polícia reagiu abrindo fogo contra as pessoas. O massacre deixou 566 mortos. Em março de 1982, o líder foi transferido para a prisão de Pollsmoor. Até 1986, diversas revoltas contra o Apartheid tomaram conta da África do Sul – o governo de minoria branca decretou estado de emergência. Mandela rejeitou a liberdade condicional proposta pelo presidente Pieter Botha.
Libertação de ‘Madiba’
Em 1987, a CNA e ativistas brancos antiapartheid assinaram um manifesto pela libertação de Mandela. Todavia, só em 11 de fevereiro de 1990 o governo de Frederik de Klerk apresentou medidas liberalizantes e anunciou a liberdade do líder, que deixou a prisão. O fim do Apartheid acabou decretado em 17 de novembro de 1993 – Mandela divide com De Klerk o prêmio Nobel da Paz. Em abril de 1994, Mandela venceu a primeira eleição multirracial da África do Sul e se tornou o primeiro presidente negro do país. Ficou no poder até 1999.
Já em 1998, Mandela se casa com Graça Machel. No mesmo ano, faz um discurso na Universidade de Harvard, nos EUA, e é muito aplaudido. Em 2004, ele anuncia que se retira da vida pública. Sua última aparição pública se dá em abril de 2013. Após sair do hospital em Pretória, onde ficou internado por conta de uma infecção pulmonar, é filmado ao lado do atual presidente sul-africano, Jacob Zuma.

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