segunda-feira, 2 de abril de 2018

Colheita de Energia

Colheita de energia é o processo pelo qual a energia é derivada de fontes externas (por exemplo, energia solar, térmica, eólica, cinética), capturada e armazenada para aparelhos pequenos, autônomos e sem fio.
A colheita de energia provê uma pequena quantidade de energia para eletrônicos de baixa-energia. Enquanto o combustível para a geração de energia em larga escala custa dinheiro (óleo, carvão, etc.), as fontes de energia da coletores de energia estão no ambiente e são gratuitas. Por exemplo, os gradientes de temperatura existem na operação dos motores de combustão e em áreas urbanas, em que há grandes quantidades de energia eletromagnética no ambiente por causa das ondas de rádio e televisão.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Segurança Aérea

segurança aérea - é um conceito subjetivo, conhecido no meio aeronáutico como segurança de voo, e é definido pela Organização de Aviação Civil Internacional - OACI como sendo o "estado no qual o risco de ferir pessoas ou causar danos em coisas se limita a, ou está mantido em ou abaixo de, um nível aceitável, através de um processo contínuo de identificação de perigos e gerenciamento de riscos"(Doc 9859/OACI).
Na aviação civil, a segurança aérea é tratada sob cinco diferentes enfoques: aeronave (em termos de projeto de produto, de processo de fabricação e de manutenção), pessoal (pilotoscomissários de voo, mecânicos, despachantes operacionais, etc.), aeródromo (infra-estrutura do aeroporto), operação (condições mínimas para gestão organizacional da empresa, sob o enfoque da segurança) e navegação aérea (aeroviascontrole de tráfego aéreo, cartas aeronáuticas, comunicações, etc.).

Junta-se a estes cinco enfoques, um sexto elemento extremamente importante para o contínuo melhoramento dos índices de segurança, que é a investigação de acidentes. Este sexto elemento permite identificar deficiências e propor ações corretivas (as chamadas recomendações), para que um próximo evento semelhante não ocorra novamente.

A segurança aérea depende de uma doutrina ou filosofia de trabalho, baseada em atitude pessoal preventiva e que leva em conta três elementos: o Homem, a Máquina e o Meio (Ambiente). Nenhum acidente aéreo ocorre devido a um único fator. Um acidente aéreo é resultado de diversos fatores contribuintes e é subseqüente a vários outros incidentes aéreos de mesma natureza, que já haviam acontecido, sem maiores conseqüências, e que não haviam sido tratados convenientemente através de ações corretivas.
A segurança aérea é multidisciplinar e é composta por diversas especialidades profissionais aplicadas à aviação. O objetivo principal é evitar ocorrências ou re-ocorrências de um incidente ou de um acidente através do estudo sistemático destes acidentes aéreos ou incidentes aéreos, com o objetivo de prevenir futuras ocorrências.

Protocolo de Kyoto

O protocolo de Kyoto foi implantado efetivamente em 1997, quando metas de redução da emissão de gases poluentes foram estabelecidas.
Esse Protocolo tem como objetivo firmar acordos e discussões internacionais para conjuntamente estabelecer metas de redução na emissão de gases-estufa na atmosfera, principalmente por parte dos países industrializados, além de criar formas de desenvolvimento de maneira menos impactante àqueles países em pleno desenvolvimento.
Diante da efetivação do Protocolo de Kyoto, metas de redução de gases foram implantadas, algo em torno de 5,2% entre os anos de 2008 e 2012. O Protocolo de Kyoto foi implantado de forma efetiva em 1997, na cidade japonesa de Kyoto, nome que deu origem ao protocolo. Na reunião, oitenta e quatro países se dispuseram a aderir ao protocolo e o assinaram, dessa forma, comprometeram-se a implantar medidas com intuito de diminuir a emissão de gases.

As metas de redução de gases não são homogêneas a todos os países, colocando níveis diferenciados de redução para os 38 países que mais emitem gases, o protocolo prevê ainda a diminuição da emissão de gases dos países que compõe a União Europeia em 8%, já os Estados Unidos em 7% e Japão em 6%. Países em franco desenvolvimento como Brasil, México, Argentina, Índia e, principalmente, China, não receberam metas de redução, pelo menos momentaneamente.

O Protocolo de Kyoto não apenas discute e implanta medidas de redução de gases, mas também incentiva e estabelece medidas com intuito de substituir produtos oriundos do petróleo por outros que provocam menos impacto. Diante das metas estabelecidas, o maior emissor de gases do mundo, Estados Unidos, desligou-se em 2001 do protocolo, alegando que a redução iria comprometer o desenvolvimento econômico do país.

As etapas do Protocolo de Kyoto

Em 1988, ocorreu na cidade canadense de Toronto a primeira reunião com líderes de países e classe científica para discutir sobre as mudanças climáticas, na reunião foi dito que as mudanças climáticas têm impacto superado somente por uma guerra nuclear. A partir dessa data foram sucessivos anos com elevadas temperaturas, jamais atingidas desde que iniciou o registro.

Em 1990, surgiu o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática), primeiro mecanismo de caráter científico, tendo como intenção alertar o mundo sobre o aquecimento do planeta, além disso, ficou constatado que alterações climáticas são principalmente provocadas por CO2 (dióxido de carbono) emitidos pela queima de combustíveis fósseis.

Em 1992, as discussões foram realizadas na Eco-92, que contou com a participação de mais de 160 líderes de Estado que assinaram a Convenção Marco Sobre Mudanças Climáticas.

Na reunião, metas para que os países industrializados permanecessem no ano de 2000 com os mesmos índices de emissão do ano de 1990 foram estabelecidas. Nesse contexto, as discussões levaram à conclusão de que todos os países, independentemente de seu tamanho, devem ter sua responsabilidade de conservação e preservação das condições climáticas.

Em 1995, foi divulgado o segundo informe do IPCC declarando que as mudanças climáticas já davam sinais claros, isso proveniente das ações antrópicas sobre o clima. As declarações atingiram diretamente os grupos de atividades petrolíferas, que rebateram a classe científica alegando que eles estavam precipitados e que não havia motivo para maiores preocupações nessa questão.

No ano de 1997, foi assinado o Protocolo de Kyoto, essa convenção serviu para firmar o compromisso, por parte dos países do norte (desenvolvidos), em reduzir a emissão de gases. No entanto, não são concretos os meios pelos quais serão colocadas em prática as medidas de redução e se realmente todos envolvidos irão aderir.

Em 2004 ocorreu uma reunião na Argentina que fez aumentar a pressão para que se estabelecessem metas de redução na emissão de gases por parte dos países em desenvolvimento até 2012.

O ano que marcou o início efetivo do Protocolo de Kyoto foi 2005, vigorando a partir do mês de fevereiro. Com a entrada em vigor do Protocolo de Kyoto, cresceu a possibilidade do carbono se tornar moeda de troca. O mercado de créditos de carbono pode aumentar muito, pois países que assinaram o Protocolo podem comprar e vender créditos de carbono.

Na verdade, o comércio de carbono já existe há algum tempo, a bolsa de Chicago, por exemplo, já negociava os créditos de carbono ao valor de 1,8 dólares por tonelada, já os programas com consentimento do Protocolo de Kyoto conseguem comercializar carbono com valores de 5 a 6 dólares a tonelada.
Eduardo de Freitas
Graduado em Geografia

Mais importantes livros de sustentabilidade

A obra Os 50 + importantes livros em sustentabilidade oferece ao leitor a essência das ideias dos 50 livros mais importantes sobre o planeta, a relação entre seus habitantes, soluções tecnológicas, novas concepções filosóficas empresariais e econômicas, propostas políticas e um programa de reforma internacional, favorecendo a reflexão sobre os caminhos para planejar um mundo mais equilibrado. Seu ponto de partida foi uma enquete entre líderes seniores e ex-alunos do Cambridge Programme for Sustainability Leadership (CPSL), que em 2008 iniciou um ambicioso projeto de identificar os livros mais influentes sobre sustentabilidade, entrevistar o maior número de autores possível e compilar suas descobertas em uma resenha acessível. O resultado é uma das maiores análises dos desafios globais, sociais, ambientais e éticos com os quais todos se deparam atualmente, e as possíveis soluções criativas para cada um deles. Dentre as entrevistas e biografias dos autores selecionados, estão nomes de destaque como: Aldo Leopold, Rachel Carson, Donella H. Meadows, E.F. Schumacher, Al Gore , Jeffrey Sachs, Max Neef, Peter Senge, John Elkington e o brasileiro Ricardo Semler. Pessoas que ajudaram a dar forma à agenda de sustentabilidade ao longo dos anos.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Economia verde

Um dos mais importantes vetores da Economia Verde é, sem dúvida, o da Produção e Consumo Sustentáveis (PCS), formulado como um dos principais resultados da Conferência Rio+10, de 2002, em Joanesburgo. Esse conceito amplo procura dar centralidade à ideia de que as práticas produtivas e os hábitos de consumo são a principal razão das ameaças à sustentabilidade, e são interdependentes. Precisam, portanto, ser trabalhadas conjuntamente. Para isso, um extenso trabalho vem sendo realizado no âmbito da ONU, e consolidado no assim chamado Processo de Marrakesh, cujo trabalho deve resultar num plano global para PCS, o Ten Year Framework Program. Esse plano – como outras iniciativas do sistema ONU - tem tido dificuldades em produzir efeitos concretos diretamente, mas tem o mérito de pautar e mobilizar esforços sobre o tema em todo o planeta, inclusive no Brasil. Em nosso país, sua expressão mais direta é o Plano de Ação para Produção e Consumo Sustentáveis, plano nacional que alinhado às ações dos processos de Marrakesh visa fomentar no Brasil um vigoroso e continuo processo de mudanças e incentivos para o desenvolvimento de padrões de produção e consumo sustentáveis.
A Rio-92 foi o primeiro grande catalisador de empresários engajados no movimento pelo Desenvolvimento Sustentável. Sob a liderança do industrial suíço Stephan Schmidheiny, foi fundado em 1995 o Conselho Mundial de Empresas para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD), que inspirou a criação de entidades nacionais similares, como o Conselho Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (Cebds). A Rio-92 também motivou a criação nesse mesmo ano da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), formada por 24 empresas líderes em suas áreas de atuação.
Paralelamente à crescente preocupação ambiental, a redemocratização do Brasil a partir de 1985 colocou em pauta o desafio de o país superar o vexaminoso título de campeão mundial em desigualdade social. Nesse contexto, surgiu o Grupo de Instituições, Fundações e Empresas (Gife), estabelecido em maio de 1995 com o objetivo de promover o investimento social planejado e sistemático, superando o tradicional viés assistencialista das ações sociais das empresas.
Além do Gife, o movimento de Responsabilidade Social Empresarial (RSE) resultou na criação em 1998 do Instituto Ethos de Responsabilidade Social, que desenvolveu os Indicadores Ethos de RSE, ferramenta de autodiagnóstico cuja principal finalidade é auxiliar as empresas a gerenciarem os impactos sociais e ambientais decorrentes de suas atividades.
Havia, ainda, uma demanda de ONGs e movimentos sociais para que as empresas divulgassem relatórios regulares com indicadores socioambientais de suas atividades e impactos internos e externos. Surgiu, assim, o Balanço Social, um modelo de balanço socioambiental corporativo lançado em 1997 pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), que o atualizou anualmente até 2009.
Na segunda metade da primeira década deste século, o Balanço Social do Ibase foi sendo gradativamente abandonado, à medida em que crescia o uso dos relatórios de sustentabilidade padronizados segundo os critérios da Global Reporting Initiative (GRI), concebida no âmbito da ONU e constituída como organização independente em 2002, com sede em Amsterdã, na Holanda. Os padrões adotados pela GRI são elaborados em um processo multissetorial, abrangendo empresas, sociedade civil, sindicatos e instituições acadêmicas e profissionais.
Em 2006 outro passo importante foi dado no Brasil, com a criação do ISE/Bovespa. O Indice de Sustentabilidade Empresarial da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo, que seleciona empresas de capital aberto brasileiras com destacado desempenho e comprometimento com as questões da sustentabilidade e da responsabilidade social. Esse índice tanto ajuda investidores a direcionarem seus recursos para negócios mais sustentáveis, quanto reforça e acelera a ação das empresas rumo à sustentabilidade, motivando-as a agir e a reforçar publicamente seus compromissos, na medida em que buscam a oportunidade de diferenciação pública e atração de capitais.
O mais recente movimento nessa direção, em escala global mas com grande envolvimento do Brasil, foi o lançamento da ISO 26000, a norma internacional da ISO sobre responsabilidade social. Publicada em novembro de 2010, após mais de seis anos de trabalho intenso por um expressivo grupo internacional multistakholder, essa norma é um guia de diretrizes que deverá alinhar as ações de muitas emperesas e outros atores públicos ou privados no mundo todo. (Veja mais no site do Grupo de Articulação de ONGs Brasileiras e nos sites do GVces e do Ethos).
Evidências científicas sobre a responsabilidade humana nas mudanças climáticas e repercussão do tema pela mídia foram outros importantes propulsores de engajamento corporativo, colocando este tema como merecedor de destaque. Há, porém, iniciativas semelhantes envolvendo questões como desmatamento, uso da água, condições de trabalho etc.
Na área do clima, além do Relatório Stern (outubro de 2006), que inseriu a questão climática no coração do debate econômico, no final da primeira década do século XXI, outros acontecimentos repercutiram em cobertura da mídia, que discutiu intensamente a relação dos eventos naturais com as mudanças climáticas e as políticas para fomentar uma economia de baixo carbono. Por exemplo, o Protocolo de Kyoto entrou em vigor em fevereiro de 2005, ano em que o furacão Katrina castigou a costa do Golfo do México (29 de agosto); o ano seguinte viu a estreia em maio de Uma Verdade Inconveniente, de Al Gore. O IPCC começou a divulgar seu 4° Relatório em fevereiro de 2007 e finalmente, a COP-15 do clima foi realizada em dezembro de 2009, em Copenhague.
No Brasil, três iniciativas vêm ajudando as empresas a aprimorar a gestão de suas emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) em suas operações diretas e indiretas, que envolvem a cadeia de negócios desde os fornecedores até logística de distribuição e consumo.
Carbon Disclosure Project (CDP) – Lançado em 2000 no Reino Unido e 2008 no Brasil, o projeto reúne informações sobre as emissões de GEE de mais de 3.000 companhias e as compartilha com 551 fundos que detêm US$ 71 trilhões em ativos de empresas. O interesse dos investidores é conhecer o grau de exposição das empresas nas quais possuem ações a riscos associados às mudanças climáticas.
GHG Protocol - É uma ferramenta utilizada para quantificar e gerenciar emissões de GEE. Foi originalmente desenvolvido nos Estados Unidos, em 1998, pelo Instituto de Recursos Mundiais (WRI) e é hoje a metodologia mais usada mundialmente por empresas e governos na realização de inventários de GEE. A versão brasileira da ferramenta foi lançada no Brasil em 2008, com metodologia adaptada ao contexto nacional pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVces) e pelo WRI em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), o Conselho Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (Cebds), o Conselho Mundial de Empresas para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD) e 27 empresas.
Empresas pelo Clima (EPC) – Coordenada pelo GVces, a Plataforma EPC é um passo seguinte ao GHG Protocol. Foi lançada em outubro de 2009 em parceria com a rede The Prince of Wales Corporate Leaders Network for Climate Action (CLN). Ao aderir à iniciativa, a empresa compromete-se a publicar seus inventários de GEE de acordo com a metodologia do GHG Protocol e executar planos de gestão das emissões que promovam inovação competitiva.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Telhado verde

Telhado verde é uma técnica de arquitetura que consiste na aplicação e uso de solo ou substrato e vegetação sobre uma camada impermeável, geralmente instalada na cobertura de residências, fábricas, escritórios e outras edificações. Suas principais vantagens são facilitar a drenagem, fornecer isolamento acústico e térmico, produzir um diferencial estético e ambiental na edificação, e compensar parcialmente a área impermeável que foi ocupada no térreo da edificação.
Características
Um telhado verde é uma alternativa viável e sustentável perante os telhados e lajes tradicionais, porque facilita o gerenciamento de grandes cargas de águas pluviais, melhoria térmica, serviços ambientais e novas áreas de lazer.
O telhado verde proporciona também um ambiente muito mais fresco do que outros telhados, mantendo o edifício protegido de temperaturas extremas, especialmente no verão, reduzindo em até 3°C.
Em ambientes extremamentes artificiais como o urbano, promovem o reequilibrio ambiental, trazendo os benefícios da vegetação para a saúde pública e a biodiversidade, quando com plantas nativas do local. Às vezes, telhados verdes contam com painéis solares que reduzem o consumo de energia elétrica.
Melhora as condições termoacústicas da edificação, tanto no inverno como no verão. Estudos de bioclimatismo indicam que, com o uso de coberturas vivas, seja possível melhorar em *90% as condições térmicas no interior da edificação, sem recorrer a sistemas de climatização ou ar-condicionado artificiais.
O teto verde também mantém a umidade relativa do ar constante no entorno da edificação, forma um microclima e purifica a atmosfera no entorno da edificação, formando um microecossistema.
Contribui no combate ao efeito estufa, aumentando o ‘seqüestro’ (retirada) de carbono da atmosfera e ao mesmo tempo traz mais harmonia, bem estar e beleza para os moradores e/ou ocupantes da edificação. É também um excelente atrativo para pontos comerciais, tornando-os mais visíveis, mesmo quando distantes de locais estratégicos.
As plantas e a terra do telhado verde funcionam como um filtro natural da água, que pode ser armazenada ainda mais limpa, para depois ser usada na irrigação do jardim, nas bacias sanitárias, no chuveiro e, em regiões mais áridas, até para cozinhar e beber.
Custos
Os custos de instalação de um telhado verde dependem do sistema e tecnologia adotados. A diferença de preços se deve basicamente à quantidade e o tipo de materiais envolvidos, à complexidade de instalação e à escassez de mão-de-obra especializada. Atualmente existem no Brasil tecnologias eficazes e simples de telhados verdes, permitindo rápida amortização do investimento pela economia de energia e uso da área como jardim e lazer, quando em lajes planas.
Outro fator de economia é a extensão da vida útil de uma cobertura com telhado verde em relação à convencional, sujeita a demandas de manutenção devido à ação maior dos fatores climáticos, principalmente a impermeabilização, que fica menos propensa a fissuras pela constantes mudanças de temperaturas.

Banheiro Seco

Banheiro seco é uma alternativa ecológica no tratamento de fezes humanas. Apesar da semelhança estética com o banheiro comum, as fezes são separadas da urina.
As fezes são armazenadas em um local sem contato com o ambiente externo, onde a cada defecação a pessoa joga um punhado de serragem sobre as fezes para mantê-las secas e evitar o mal cheiro.
A urina é encaminhada a um sistema fechado de tratamento de águas cinzas (bacia de evapotranspiração), onde através de plantas semi-aquáticas, a água da urina é evaporada pelas folhas e seus nutrientes também utilizados pelas plantas.
Benefícios:
Ambientais
Sem água, o banheiro seco evita o lançamento de dejetos em tubulações ligadas à centros de tratamento ou diretamente em arroios e rios2 , para não os poluírem, e também produz composto orgânico no final de seu processo.
Educacionais
Através do banheiro seco, é possível ensinar o método cíclico da natureza, onde nenhum recurso é desperdiçado. Econômicos
O banheiro seco gera economias para que o possuí, ao: cessar o uso de água na instalação sanitária
evitar uso de tubulações ligadas a rede coletora de esgoto
evitar o gasto com adubo para árvores frutíferas
Modelos de banheiro seco
Existem vários modelos de banheiro seco e todos eles são completamente inodoros. As fezes podem ser coletadas num grande tonel abaixo da patente (bem vedado) e ao estar cheio, é trocado e o tonel passa aproximadamente 6 meses fechado fechado e após isso, mais 6 meses em uma composteira, de onde sai um adubo excelente para árvores frutíferas. Outro modelo é o da rampa, onde as fezes vão rolando e se acumulam numa caixa inclinada, com orientação solar norte, e com uma chaminé por onde saem os gases produzidos na decomposição.

Água - Energia - materiais ecológicos - resíduos

Água
O projeto de um edifício sustentável deve prever a redução no consumo de água e uma gestão inteligente deste recurso, através de tecnologias de reúso de água, utilização das águas pluviais e equipamentos de redução de consumo tais como torneiras e chuveiros com temporizadores ou sensores.
Energia
Um aspecto já tradicional da arquitetura sustentável é o aquecimento solar da água.
Materiais Ecológicos
São considerados materiais ecológicos (eco-eficientes) aqueles produzidos com menor impacto no meio ambiente. Entre os utilizados na construção sustentável pode-se citar: blocos de terra comprimida, o adobe, tintas sem componentes voláteis tóxicos, materiais reciclados, madeira certificada ou de curto ciclo de renovação, tijolo ecológico, entre outros.
Os materiais regionais são priorizados na construção sustentável, pois reduzem o percurso de transporte e emissão de gás carbônico da queima do combustível e priorizam o desenvolvimento do comércio/indústria regional.
Resíduos
Os resíduos da construção civil têm impacto significativo no volume de resíduos das cidades. Para além do seu grande volume, quando não separados na origem tornam-se de difícil reutilização, impossibilitando muitas vezes a sua reciclagem. A atenção dada a este pormenor é outra das suas características.

Arquitetura verde

A arquitetura sustentável, também conhecida como arquitetura verde e eco-arquitetura é uma maneira de conceber o projeto arquitetônico de forma sustentável, procurando otimizar recursos naturais e sistemas de edificação que de tal modo minimizem o impacto ambiental dos edifícios sobre o meio ambiente e seus habitantes.
Os princípios da arquitetura sustentável incluem:
A consideração das condições climáticas, da hidrografia e dos ecossistemas do entorno em que os edifícios são construídos, para obter o máximo desempenho com o menor impacto.
A eficácia e moderação no uso de materiais de construção, dando prioridade ao baixo consumo de energia em comparação com os de alta energia. A redução do consumo de energia para aquecimento, refrigeração, iluminação e outros equipamentos, cobrindo o resto da demanda com fontes de energia renováveis. A minimização do balanço global de energia do edifício, que abrange a concepção, construção, utilização e seu fim.
O cumprimento com os requisitos de conforto higrotérmico, salubridade, iluminação e ocupação dos edifícios.
Características Esse movimento surgiu no final da década de 2000 e concentra-se na criação de uma harmonia entre a obra final, o seu processo de construção e o meio ambiente. Pretende evitar em cada um dos passos agressões desnecessárias para o ambiente, otimizando processos de construção, reduzindo os resíduos resultantes, e diminuindo os consumos energéticos do edifício. Tem ainda como objectivo que a construção atinja um nível de conforto térmico e de qualidade do ar adequado, reduzindo assim a necessidade da utilização de sistemas de ventilação ou aquecimento artificiais.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Construção Energitérmica Sustentável

A Construção Energitérmica Sustentável é um tipo de edificação que surgiu na Europa. A característica principal desse tipo de arquitetura é o uso de materiais leves de aço, o Stell Frame, ou de madeira, a Wood Frame, que são unidas por placas estruturais, podendo ser usadas em casas com até cinco pavimentos. A construção se torna rígida e resistente e permite que o acabamento seja feito com qualquer tipo de material, dando ares modernos e bonitos às casas.
Ecologicamente correta
As Construções Energitérmicas Sustentáveis apresentam a vantagem de serem sustentáveis, pois causam poucos impactos negativos no meio ambiente, já que os materiais utilizados emitem baixos índices de CO2 (cerca de cinco vezes menos do que construções tradicionais). Essas construções também geram poucos resíduos, evitando a poluição do meio ambiente, e reduzem gastos com água e energia durante o processo de edificação ou reformas.
Vantagens
As edificações do tipo Energitérmica Sustentável apresentam estruturas mais duradouras do que as comuns, suportando ventos de até 300 km/h, além de um excelente isolamento térmico e acústico.
Mais uma vantagem é que o tempo da construção de um imóvel energitérmico é menor, pois os materiais já são comercializados de maneira pronta para serem usados, dispensado lixamentos e outros procedimentos que atrasam a obra.
Empresas no Brasil
A quantidade de empresas que trabalham com as Construções Energitérmicas Sustentáveis vem crescendo no Brasil. Atualmente, são mais de 20 construtoras espalhadas pelo país, como a Global Wood, a LP Brasil, a Dry Wall Curitiba, a Artetecta, a Better Light, entre outras.
Preço
Além de reduzir o tempo da obra, as Construções Energitérmicas trazem retorno financeiro em curto prazo para os construtores e apresentam menor custo para o contratante. Isso se deve ao fato de que essas construções não geram desperdícios de materiais, permitindo que o processo de edificação seja fiel ao planejamento financeiro. Uma casa Energitérmica Sustentável custa, em média, 30% menos do que construções convencionais.

Sustentabilidade Urbana

Em nome do desenvolvimento e urbanização, as cidades vêm degradando todo o ambiente ao seu redor. Rios e outras fontes de água contaminadas, ar poluído, lixões a céu aberto e desmatamentos são só alguns exemplos do “progresso” do homem moderno. O problema é que todas essas práticas também resultam em doenças, inundações, desmoronamentos e até morte. Ou seja, a sociedade está arcando com as consequências de sua política predatória exercida ao longo do tempo.
Nessa relação de causa e efeito fica claro que a inserção e o incentivo às ações sustentáveis nas cidades é fundamental para se ter uma qualidade de vida melhor. Além de representar um ganho econômico e social relevante, uma vez que o reaproveitamento de alguns materiais reduz os gastos com água e energia, preservando também os recursos naturais. Isso sem falar na demanda por mão de obra, aplicada em empresas voltadas para a sustentabilidade, como por exemplo, as usinas de reciclagem. Ganho para as indústrias e benefícios para os cidadãos.
É importante que todas as camadas da sociedade contribuam, mesmo que através de simples atitudes, como a coleta seletiva, armazenagem e descarte correto do lixo e uso de biocombustíveis, pois todas essas pequenas ações geram um resultado sustentável gigantesco. A coleta seletiva permite a reciclagem dos produtos, diminuindo o uso de matérias-primas. Respeitar os horários dos caminhões de lixo impede que as chuvas espalhem os detritos pelas ruas e avenidas, evitando o entupimento de bueiros e, consequentemente, as inundações e transbordamentos de rios e córregos. Já os biocombustíveis são fontes de energia limpas e renováveis, poluem menos e são ótimos substitutos para o petróleo.
Uma tendência que deve se consolidar nos próximos anos é a aplicação da chamada construção sustentável. Isso significa que as pessoas terão que se preocupar mais com a natureza antes de construir uma casa. O conceito implica que os edifícios verdes respeitem o meio ambiente, utilizando conscientemente os recursos naturais necessários e destinando os resíduos corretamente. O projeto inicial pode exigir uma quantidade maior de investimentos, mas esse valor será certamente coberto pela economia de recursos valiosíssimos para a humanidade, como água e energia elétrica. Portanto, a preocupação com a eficácia é sempre voltada para o mínimo impacto ambiental possível.
Os edifícios verdes devem seguir normas rígidas quanto à qualidade do ar, uso racional de energia e água, tratamento de resíduos sólidos e controle de emissão de poluentes. O ar interno deve estar sempre com boa qualidade e é preciso efetuar a manutenção periódica dos aparelhos de ar condicionado. No que diz respeito à energia, os prédios verdes devem explorar a iluminação natural, utilizando janelas maiores e criando espaços mais amplos. O uso de lâmpadas led também proporcionam maior economia. O desperdício de água tem que ser evitado a todo custo, assim como a boa qualidade da mesma deve ser mantida. O uso de material isolante de ruídos, a decoração com flores e plantas ajudam a manter a harmonia do ambiente interno. O programa de coleta de lixo deve ser seletivo e gerenciado sempre. Mas, acima de tudo, é imprescindível que os funcionários ou habitantes recebam a devida orientação ambiental para viverem nesses espaços ecologicamente corretos.
Assim, a sustentabilidade nas cidades é um dos maiores desafios da sociedade contemporânea e de seus governantes. Ao mesmo tempo em que é preciso continuar com o desenvolvimento econômico e social, é fundamental que tais ações tenham respeito para com o meio ambiente.

Sustentabilidade econômica

Sustentabilidade econômica
A sustentabilidade econômica, enquadrada no âmbito do desenvolvimento sustentável é um conjunto de medidas e políticas que visam à incorporação de preocupações e conceitos ambientais e sociais. Aos conceitos tradicionais de mais valias econômicas são adicionados como fatores a ter em conta, os parâmetros ambientais e sócio-econômicos, criando assim uma interligação entre os vários setores.
Assim, o lucro não é somente medido na sua vertente financeira, mas igualmente na vertente ambiental e social, o que potencializa um uso mais correto quer das matérias primas, quer dos recursos humanos.
Há ainda a incorporação da gestão mais eficiente dos recursos naturais, sejam eles minerais, matéria prima como madeira ou ainda energéticos, de forma a garantir uma exploração sustentável dos mesmos, ou seja, a sua exploração sem colocar em causa o seu esgotamento, sendo introduzidos elementos como nível ótimo de poluição ou as externalidades ambientais, acrescentando aos elementos naturais um valor econômico.

Sustentabilidade ambiental

A sustentabilidade ambiental consiste na manutenção das funções e componentes do ecossistema, de modo sustentável,36 37 podendo igualmente designar-se como a capacidade que o ambiente natural tem de manter as condições de vida para as pessoas e para os outros seres vivos, tendo em conta a habitabilidade, a beleza do ambiente e a sua função como fonte de energias renováveis.38 39
As Nações Unidas, através do sétimo ponto das Metas de desenvolvimento do milénio procura garantir ou melhorar a sustentabilidade ambiental,40 através de quatro objectivos principais:41 1.Integrar os princípios do desenvolvimento sustentável nas políticas e programas nacionais e reverter a perda de recursos ambientais.
2.Reduzir de forma significativa a perda da biodiversidade.
3.Reduzir para metade a proporção de população sem acesso a água potável e saneamento básico.
4.Alcançar, até 2020 uma melhoria significativa em pelo menos cem milhões de pessoas a viver abaixo do limiar da pobreza.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Energia solar

Os constantes problemas ambientais causados pela utilização de energias não renováveis, aliados ao esgotamento dessas fontes, têm despertado o interesse pela utilização de fontes alternativas de energia.
A energia solar é uma boa opção na busca por alternativas menos agressivas ao meio ambiente, pois consiste numa fonte energética renovável e limpa (não emite poluente).
Sua obtenção ocorre de forma direta ou indireta. A forma direta de obtenção se dá através de células fotovoltaicas, geralmente feitas de silício. A luz solar, ao atingir as células, é diretamente convertida em eletricidade. No entanto, essas células fotovoltaicas apresentam preços elevados. O efeito fotovoltaico ocorre quando fótons (energia que o Sol carrega) incidem sobre os átomos, proporcionando a emissão de elétrons, que gera corrente elétrica.
Para obter energia elétrica a partir do sol de forma indireta, é necessária a construção de usinas em áreas de grande insolação, pois a energia solar atinge a Terra de forma tão difusa que requer captação em grandes áreas. Nesses locais são espalhadas centenas de coletores solares.
Normalmente, a energia solar é utilizada em locais mais isolados, secos e ensolarados. Em Israel, aproximadamente 70% das residências possuem coletores solares, outros países com destaque na utilização da energia solar são os Estados Unidos, Alemanha, Japão e Indonésia. No Brasil, a utilização de energia solar está aumentando de forma significativa, principalmente o coletor solar destinado para aquecimento de água.
Apesar de todos os aspectos positivos da energia solar (abundante, renovável, limpa, etc.), ela é pouco utilizada, pois os custos financeiros para a obtenção de energia são muito elevados, não sendo viável economicamente. Necessita de pesquisas e maior desenvolvimento tecnológico para aumentar sua eficiência e baratear seus custos de instalação.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O legado de Mandela

Um dos maiores símbolos da luta contra o preconceito em toda a história da humanidade, o líder sul-africano Nelson Mandela, de 95 anos, morreu na quinta-feira, 5 de dezembro, devido a complicações de uma infecção pulmonar. O primeiro presidente negro da história da África do Sul dedicou 67 anos de sua vida por um mundo mais justo, por meio do serviço público, como advogado de direitos humanos, prisioneiro de consciência e pacificador internacional.
Mandela nasceu na aldeia de Mvezo, na Província de Eastern Cape. Filho de um chefe da tribo Tembo, recebeu o nome de Rolihlahla. Passaria a ser chamado de Nelson anos mais tarde, em uma escola de religiosos anglicanos. Se tornou bacharelado em Direito em 1943, em Johanesburgo. No mesmo ano, formou a Liga da Juventude do CNA, com os amigos Oliver Tambo e Walter Sisulu. Eleito secretário-geral no ano seguinte, casou-se com Evelyn Mase, com quem teve quatro filhos – apenas um continua vivo.
Em 1948, Mandela coordenou a chamada ‘Campanha de Desafio’, contra o Apartheid (regime de segregação racial da África do Sul), durante a qual cerca de 8.500 ativistas foram presos. Em 1956, o líder se divorciou de Evelyn. Em 1958, casou-se novamente, com Winnie Mandela, com quem teve duas filhas. No mesmo ano foi preso junto com outros 156 companheiros, acusado de traição – acabou absolvido em 1961 da acusação de traição e passou a atuar na clandestinidade, contudo, voltou à prisão em agosto de 1962.
Era julho de 1964, quando Mandela foi condenado à prisão perpétua (ficou na prisão de Robben Island). Em 1976, no chamado Levante de Soweto, dez mil estudantes negros realizaram uma passeata pacífica. A polícia reagiu abrindo fogo contra as pessoas. O massacre deixou 566 mortos. Em março de 1982, o líder foi transferido para a prisão de Pollsmoor. Até 1986, diversas revoltas contra o Apartheid tomaram conta da África do Sul – o governo de minoria branca decretou estado de emergência. Mandela rejeitou a liberdade condicional proposta pelo presidente Pieter Botha.
Libertação de ‘Madiba’
Em 1987, a CNA e ativistas brancos antiapartheid assinaram um manifesto pela libertação de Mandela. Todavia, só em 11 de fevereiro de 1990 o governo de Frederik de Klerk apresentou medidas liberalizantes e anunciou a liberdade do líder, que deixou a prisão. O fim do Apartheid acabou decretado em 17 de novembro de 1993 – Mandela divide com De Klerk o prêmio Nobel da Paz. Em abril de 1994, Mandela venceu a primeira eleição multirracial da África do Sul e se tornou o primeiro presidente negro do país. Ficou no poder até 1999.
Já em 1998, Mandela se casa com Graça Machel. No mesmo ano, faz um discurso na Universidade de Harvard, nos EUA, e é muito aplaudido. Em 2004, ele anuncia que se retira da vida pública. Sua última aparição pública se dá em abril de 2013. Após sair do hospital em Pretória, onde ficou internado por conta de uma infecção pulmonar, é filmado ao lado do atual presidente sul-africano, Jacob Zuma.

O quinto poder

Caro leitor, peço sua permissão para oferecer um editorial longo, focado nos recentes acontecimentos políticos, mas que aborda a sustentabilidade política num mundo hiperconectado, que necessita de profunda reflexão de todos nós.
Agradeço antecipadamente pela paciência.
Boa leitura: É o quinto poder? A declaração da Presidenta Dilma Rousseff na sexta-feira passada (21/06) deixou claro que começa a surgir um novo interlocutor politico, reconhecido e legitimado pelos outros quatro poderes: a mobilização direta nas redes e nas ruas por questões pontuais. A divisão tripartite do poder idealizada por Montesquieu no século XVIII e, depois, no início do século XX, o surgimento dos meios de comunicação de massa como um quarto poder, desaguou neste quinto poder, possibilitado pela tecnologia e a comunicação em redes digitais de grande parte da sociedade que, hoje, não apenas recebe a informação, mas também emite julgamentos e opiniões.
E se mobiliza. De fato, estamos no meio de uma transição já que no Brasil apenas um pouco mais da metade da população tem acesso constante à Internet ou redes sociais, mas fica claro que a barreira entre o virtual e o real, como previu Pierre Levy em 2000, se dissolve cada vez mais rápido. Hoje, as manifestações vão das ruas para as redes, das redes para as ruas e estão nas ruas e nas redes ao mesmo tempo, e a mídia tradicional tenta, apenas tenta, acompanhar.
Não há horário, não existe local fixo, não surge uma demanda única e não tem orientação politica clara. Nem as pessoas são as mesmas.
Mas, diferentemente das comparações que foram feitas com outras manifestações rede-rua/rua-rede na Turquia e durante a primavera árabe, no Brasil este fenômeno se deu durante – e por causa de – o maior período de convívio democrático da história do país.
Lá se vão 24 anos e 8 mandatos presidenciais e de governadores sem questões sérias sobre o processo eleitoral em si, desde o fim da ditadura militar.
Além disso, um outro fator, que mais cria perplexidade na classe política – dentro e fora do governo – é que este fenômeno se dá num momento de razoável conforto econômico, com empregos em alta e crescimento econômico, apesar de baixo e aquém das necessidades nacionais. A DEMOCRACIA FOI O ESTOPIM O estopim que levou milhares de pessoas às ruas, portanto, foi a direta ameaça pelas polícias militares ao direito à manifestação, que, no final, levou à vitória da revogação de aumento tarifárias de transporte público em quase todo o país.
Mas a coisa não parou por aí. Até parece que a população ‘pegou gosto’, a assim foram colocadas na pauta outras reivindicações e outros temas, alguns genéricos, outros pontuais e, das redes, uma massa continuará a popular avenidas em manifestações que pipocam a todo tempo.
A esperança dos moblizados e autombilizados fala maior do que os riscos de ir para a rua e deixou de lado o pessimismo imobilizador. E assim, se consolida o quinto poder, confirmando mais uma vez a teoria do canadense Marshall McLuhan, que identificou que cada revolução tecnológica nas comunicações, traz mudanças sociais mais profundas. Como escrevi semana passada, a mobilização vitoriosa em torno das tarifas, mostrou que o brasileiro não mais aceitará decisões puramente técnicas. Ou seja, aumentar preços para cobrir a inflação sem contrapartidas e melhorias, nunca mais. Nas redes e nas ruas, o quinto poder pede o mesmo para os outros serviços públicos. No passado, estas questões pontuais eram encampadas por movimentos sociais de base, com ligações com igrejas e partidos políticos.
Às vezes se tornavam violentas, como foram as mobilizações contra aumento de tarifas de transporte em São Paulo nos anos 50. Nos anos 90, movimentos de sem teto colocaram na pauta a moradia popular nos centros urbanos com a ocupação de imóveis públicos.
O apoio a estes movimentos sempre foi pontual, restrito às suas redes (não digitais), a outros movimentos sociais, grupos de acadêmicos, igrejas e partidos de esquerda, que não só tinham um alinhamento ideológico, mas também tinham capacidade de mobilização. E, de fato, estes movimentos nunca eram pautas de destaque dos grandes jornais.
E sempre foram criminalizados de uma forma ou outra. Parar a Av. Paulista em horário de pico e colocar cerca de 100 mil pessoas nas ruas hoje parece corriqueiro. Neste final de semana, mesmo após o pronunciamento da presidenta, ainda houveram manifestações significativas. Cito apenas a de São Paulo, onde estimou-se 35 mil pessoas no início da noite de sábado contra, principalmente, a aprovação da PEC37 que tiraria o poder de investigação de diversos crimes do Ministério Público. MUDOU PRA SEMPRE: O QUE FAZER? Arrisco aqui que as manifestações vão continuar a acontecer.
Nas redes ou nas ruas.
Nas ruas e nas redes. Este quinto poder que se assume agora, no entanto, precisa dialogar com os outros poderes e os outros poderes precisam aprender a dialogar com ele, mesmo que não tenha lideranças fixas. É preciso entender que esta característica de não haver lideranças fixas, de não haver pessoas físicas identificáveis, não significa que não existe poder. Como diz o sociólogo Mássimo di Felice, que lidera um grupo de pesquisa internacional sobre redes digitais e sustentabilidade na USP, a aglutinação em torno de temas e questões pontuais vão acontecer e sempre se formarão lideranças temporárias organizando as pautas, utilizando-se de um conhecer atópico construído horizontalmente nas redes pelo compartilhamento de milhares de informações. Estes empreendedores cognitivos liderarão tematicamente e temporariamente. A qualquer momento questões pontuais (como a revogação do aumento das tarifas) ou genéricas (como o descontentamento contra a corrupção) surgirão e exigirão respostas daqui para frente. Isto coloca em questão o nosso sistema político, hoje anacrônico diante das possibilidades de participação popular propiciadas pelas redes digitais. Os partidos políticos estão na trincheira já que são ainda estruturados para operar em democracias representativas clássicas que, como analisou Norberto Bobbio, não significa que o parlamentar eleito possa consultar o tempo todo suas bases para saber se aperta o ‘sim’ ou o ‘não’ no painel.
Ele vota, na maioria das vezes, com um olho na mídia e outro na sua consciência. Isso em teoria, pois há uma desvirtuação do sistema, real e corriqueira, onde um terceiro olhar é para o financiador de sua campanha. E OS PARTIDOS POLITICOS? Nas últimas semana os partidos que quiseram ‘capitalizar’ nas manifestações foram rechaçados. Este foi o caso do PT nas ruas, junto com outros partidos de esquerda e com ligações com o Movimento Passe Livre.
Já o PPS, tentou na televisão, colocar na pauta das manifestações a inflação, e foi geladamente ignorado. Enquanto isso, as lideranças dos outros 30 e tantos partidos políticos ficaram afônicos e simplesmente desapareceram de cena.
Não que os partidos vão desaparecer, mas eles precisam entender com as redes que as pessoas não mais vão votar em siglas ou personalidades em meio a complexos e escusos acordos políticos por tempo na TV.
A própria rede poderá indicar aos eleitores quais o candidatos mais alinhados com certos temas, independente de partidos. O tempo de TV começa, enfim, perder a importância e listas fechadas, por consequência, terão que desaparecer.
Mas se cada indivíduo que tem possibilidade de organizar milhares de pessoas pode montar uma pauta própria, como que a sociedade buscará um consenso feito pela maioria? Como se mede esta maioria? Um abaixo assinado nas redes e milhares de pessoas nas ruas representam uma maioria democrática simples ou qualificada? São questões que necessitam ser abordadas.
Arrisco abaixo algumas propostas essenciais: Uma ampla reforma política para prever um sistema mais ágil e fácil de propostas populares Maior acesso à informação em todos os poderes e níveis de governo Um sistema de consultas públicas regulares sobre questões pontuais e locais Ampliação de canais de diálogo direto entre todos os poderes e a sociedade Possibilidade de revogação de mandatos do executivo e legislativo Os problemas são complexos, mas os entraves ao aumento da participação não são técnicos se houver a disposição dos governos de conectar ou possibilitar acesso à 100% da população às redes digitais e garantir a neutralidade total no fluxo de informações.
TUDO QUE SE DESMANCHA NAS REDES HOJE SE SOLIDIFICA NAS RUAS AMANHÃ Como em todas as mudanças, há incertezas. Karl Marx, há muito tempo, disse que tudo que é sólido, se desmancha no ar. A burguesia, para ele, era um vetor forte de mudanças sociais por várias razões.
Não há mais como negar que uma democracia pujante como a brasileira possa caminhar sem levar em conta este quinto poder que se desmancha no ar hoje e se solidifica nas ruas amanhã.
O caminho, percebido – mas apenas percebido – pela Presidenta Dilma em sua fala, é colocar pautas e abrir diálogos a despeito da suposta falta de lideranças. Prefeitos e governadores ainda não perceberam isso.
Ela reconheceu que o que aconteceu – que chama da voz das ruas – está aqui para ficar, hoje será pelo Facebook e pelo Twitter, amanhã por uma outra rede proprietária ou não.
Chegou a hora de ver que entramos na era do diálogo direto e horizontal, e que as soluções não são apenas técnicas, que a política não é enfadonha, que os partidos não são monopólios, que os parlamentos não têm mais endereço fixo, que as minorias não são necessariamente minorias e que todos têm uma voz potente fora das manchetes dos veículos das grandes corporações midiáticas. Este, o quarto poder, o único a ser realmente ameaçado pelo quinto… se ele não consolidar as mudanças que seus jornalistas começaram a observar.
Gostei